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Festival Batuque 2011 – Sesc Santo André. O Relato 21 Dias Depois.

No final de semana dos dias 10 e 11/12/11, rolou a segunda edição do Festival Batuque (antigo Indie Hip Hop) com morada no Sesc Santo André.

Enquanto lê, curta algumas faixas que marcaram o festival:

Muito bem organizado, o festival contou com apresentações de Criolo e seus companheiros Dandan e Ganjaman em show emocionante; Gui Amabis, músico e produtor (“Bruna Surfistinha”, “Senhor das Armas”) mostrou seu som melancólico e experimental de seu álbum Memórias luso-africanas e a abertura nos dois dias de festival ficou a cargo do DJ Prince Paul, importante personagem da cena (integrante do Stetsasonic, e produtor do De La Soul até o 3º álbum) que agitou e fez muita gente dançar, com rap, funk, soul e blues, tocando clássicos e sons atuais. No domingo o palco ficou para o grupo Bixiga 70 e para os rappers Ogi e Doncesão.

Mas a atração mais esperada dos dois dias sem dúvida foi a apresentação do rapper, ator e produtor Q-Tip, um dos principais representantes da black music contemporânea, famoso por ser líder do grupo A Tribe Called Quest que em meados dos anos 80 para os 90 pregava o chamado Native tongues – em resposta ao estilo Gangsta que liderava esse estilo musical – com letras que rimavam assuntos positivos e um som que retomava características africanas como forma de voltar às raízes e mais tarde valorizar o uso de beats puxados para o jazz e samples ecléticos. Formada em 1988, após dez anos e cinco albúns na carreira A Tribe Called Quest terminou entre 1998 e 1999; em 2006 o grupo se reuniu para uma turnê pelos Estados Unidos. Q-Tip já lançou três álbuns em sua carreira solo, o mais recente é The Renaissance de 2008.

E agora um relato breve e tardio de como foi o primeiro dia:

O festival começou as 18h, naturalmente só esquentaria mais tarde, as pessoas que chegavam cedo preferiam ficar na frente do Sesc pra matar um tempo antes das atraçãoes principais. O primeiro set de Prince Paul animou os poucos que já haviam entrado. Enquanto a barraquinha com Cd’s e camisetas era armada, a lanchonete local foi o único ponto quente durante 100% do evento, não que o resto todo tenha sido frio apenas não conseguiu a mesma consistência.

Festival Batuque Sesc Santo André 2011 Q-Tip

Xis, o rapper, foi o mestre de cerimonia do evento, segurava a onda do público entre os artistas e fazia a introdução de cada um deles. Durante o segundo set do Prince ele se empolgava as vezes e cantava junto, e ia até o centro do palco, com certeza divertia a galera, mas não agradou tanto a produção do americano que olhava torto para ele. Ficou a sensação que numa próxima edição Xis deveria ganhar um espaço para se apresentar também, com certeza somaria ao elenco do festival.

Gui Amabis foi o segundo a tocar, contando na sua banda com mebros do Instituto, ainda sem casa cheia e com um som completamente distinto dos demais, chamou a atenção de alguns interessados, outros viravam as costas para conversar ou aproveitaram para dar uma volta, mas a nós fica a sensação de que foi apenas uma das vezes que falaremos dele aqui, um som experimental e autoral que foge de classificações. Inclusive tem uma música em parceria com Criolo. É daqueles caras que alguém sempre diz: “É preciso estar no clima certo para ouvir o som dele.” – mas afinal, não é assim com tantas outras coisas?

Festival Batuque Sesc Santo André 2011 Q-Tip

Mais uma pausa. Volta Prince Paul, desta vez mais a vontade com o público interagindo, liberando os clássicos aos poucos. Outra pausa.

Agora a atração nacional, um dos mais aclamados do ano, Criolo, Dandan e Instituto. Mais um show do Criolo com muita energia, e presença de palco, no repertório praticamente todas de Nó na Orelha e um uma extra das antigas “Vasilhame”. Além de fazer o público cantar e pular, Criolo tem como característica reverenciar o passado do Hip Hop e puxar a bandeira de questões sociais, o meio ambiente é um tema recorrente em suas músicas e discurso.Lembrou-se também do começo da Rinha dos MC’s e a dificuldade de se produzir um som original, ainda conseguiu enxergar no meio da platéia do Sesc um MC amigo que ficou pelo meio do caminho na trilha musical, fez questão de enaltecer sua contribuição ao rap e sua presença ao evento. Outra vez Criolo deixa o palco emocionado.

Festival Batuque Sesc Santo André 2011 Q-Tip

Público quente, pista lotada, finalmente podemos ver o melhor de Prince Paul, que retorna ao palco pela última vez na noite. Pode parecer que com tantas participações a prensença dele foi diminuída a mero coadjuvante, mas na verdade ele apenas cumpria com o seu papel: não deixar o som parar. Jogou todas as suas cartas na mesa e mandou ver.

Passavam das 21h e a tensão era grande, todos ansiosos pela entrada da grande estrela da noite. Um Dj, uma baixista e um guitarrista, todos prontos. Luzes piscando, gritaria, lá vem ele.

Quando Q-Tip finalmente entra, vem com tudo, uma jaqueta preta e óculos escuros que duraram pouco no calor do palco. A noite foi dele, o flow macio que o fez famoso continua perfeito, claro que como toda apresentação ao vivo apresentou novas técnicas, e mostrou que sabe cantar. Abusou da sua irreverência para mexer com o público, em especial o feminino que delirava com suas dancinhas, além disso também falava o mais fino do português praticado pelos artistas internacionais – “Eai Sao Paoloo!”; “Tudo Beeem?” – sempre infalível. Emendando rimas em cima de rimas, Q-Tip não ficou parado no palco, chamava o público para dentro do show, e todo mundo ia junto, batendo palmas, dançando, cantando e respondendo “Yes, you can!“.

Festival Batuque Sesc Santo André 2011 Q-Tip

As músicas solo, davam corpo ao show, e deixaram claro que ele ainda tem muito pra fazer e falar, mas tudo ia abaixo quando os clássicos da Tribe surgiam, e não foram poucos, desde “Bonita Applebum” que teve uma introdução com direito a freestyle, até “Scenario” onde ele fez a sua parte e de Busta Rhymes, sem perder o fôlego, além de tantas outras. No momento de maior vibração ele desce do palco para cantar “Award Tour” mas não consegue direito, nenhuma falha técnica, acontece que o público o puxou para a perto e acabaram as barreiras das grades por instantes, foi o grande presente para quem é fã, nada pode superar aquilo.

Confira nosso relato fotográfico do evento – Fotos por Raísa Trinny:

Este post foi escrito por: Ana Almeida e André Pina. Seja Bem Vindo a 2012 ;)