Febre do Rato
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“Quem gostou, que ame. Quem não gostou, eu mando tomar no cú”. Assim, Cláudio Assis, um homem de poucas palavras, discursa sobre seu filme que estreia amanhã, sexta feira, no Cinema Reserva Cultural.
Pernambucano, famoso por chocar seu público com seus filmes Amarelo Manga e Baixio das Bestas (ambos vencedores de ínumeros prêmios nacionais e internacionais de cinema), não deixa a desejar em seu novo filme Febre do Rato, dotado de muita “putaria” (aos puritanos) e crítica social.
A expressão “Febre do Rato” é uma gíria pernambucana usada conotativamente para qualificar alguém que está fora de controle, com sentimento exacerbado. Zizo ou Poeta (Irandhir Santos) observa, escreve e declama suas poesias nas ruas do Recife e promove discursos políticos através de seu tablóide. Ao conhecer Eneida (Nanda Costa), se apaixona, ama e deseja teu sexo tanto quanto luta por um modelo de vida utópico e anárquico. A recusa de Eneida pelo prazer muda sutilmente a vida de Poeta que transforma seus hábitos em prol do seu desejo.
Pode-se dizer que o filme é autoral. Pelo pouco tempo em que Assis dissertou na apresentação do seu elenco (Irandhir Santos, Nanda Costa, Maria Gladys, Juliano Cazarré, Matheus Nachtergaele e Tânia Moreno) percebe-se que Zizo e Cláudio tem muito em comum pela poesia, pelo amor, pelo discurso e enfim, pela liberdade. Definiria, então, como um filme de amor desdobrado em “putaria”. De “putaria” desdobrado em arte. De arte desdobrado em política. De política desdobrado em amor, novamente.
Vale ressaltar, aos interessados, que a fotografia em preto e branco de Walter Carvalho (Central do Brasil, 1998) e a direção de arte de Renata Pinheiro (Feliz Natal, 2008) são maravilhosas. Belos enquadramentos, estudados a cada detalhe. O filme representa o cinema brasileiro de altíssimo nível. Enfim, faço das palavras de Cláudio as minhas: “Du caralho”. Grande vencedor do Festival de Paulínia, em 2011, premiado em 8 categorias: Melhor Filme Ficção – “Febre do rato”, Claudio Assis
Assistam. |















